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quarta-feira

Evangelho em prosa: amar o outro pelo que ele é.

Que nossa consciência seja sempre a de quem avança no Caminho. E nunca a de quem já alcançou o fim da caminhada. Que nos ocupemos em amar e em ajudar o próximo no seu trajeto pessoal. Conscientes da nossa pequenez e de que somos servos uns dos outros, prossigamos sabendo-nos medíocres alcançados pela Graça. Para que isso ocorra, é importante reconhecer que até mesmo a oportunidade de guiar o outro na caminhada é dom. Nada tem a ver com nossa capacidade, mas com a misericórdia que recebemos de Deus.

Meu desejo é que quando avançarmos na caminhada, adquirirmos anseios maiores e não tivermos mais tempo para práticas antigas, que nosso tempo seja sempre dedicado ao próximo, em Amor. Se nossa esperança, em Cristo, já ultrapassa os limites deste mundo, nada mais certo que transmitir essa Paz a quem ainda não a experimenta.

A Luz do Evangelho

Certa vez Deus me disse : Cada qual vive na luz que recebe.

Tive o privilégio de subir algumas vezes o Monte Sinai, no Egito; as vezes que o fiz, iniciava a longa subida de mais de 3.000 metros à meia noite, chegando ao pico da montanha antes do amanhecer, para evitar o sol causticante do deserto.

O grande inconveniente era a escuridão, o que amenizávamos com uma boa lanterna na mão, focando apenas o necessário para que passo a passo, sem focar nos abismos, subíssemos como se eles não existissem.

Às vezes em que subi, como lembrei de minha própria vida: passos apressados no começo, paradas para descanso e reflexão de quando em vez , sentimentos de fracasso ao sentir o esgotamento físico e pensar em desistência, negociava a falência física , e sempre , em instantes depois , encontrava força no propósito inegociável da fé.

Quando eu paro e olho para o passado, tentando achar nele chão para pisar, encontro-me saudoso e embevecido da felicidade vivida.

Não a felicidade da vida sem lutas, pois certamente foram muitas, mas a felicidade de ter construído história, e não ter que achar o vazio da indiferença, daqueles que não constroem suas próprias histórias , mas se tornam coadjuvantes dos acasos inevitáveis dos covardes.

Nessa vida há os que passam pela história, os que vivem a história e os que fazem a história.

Fiz história em minha vida, que grata conclusão, não terei que covardemente enriquecer o túmulo, enterrando como muitos , projetos , sonhos , poesias , negados a sua geração e às posteriores, mas poderei caminhar eternidade afora dizendo para o doador da vida: Obrigado Senhor , porque um dia focastes a luz da sabedoria do Teu evangelho nas trevas e abismos da minha ignorância.

por Moises Romero